Início da Existência
Por Fagner Souza on
julho 20, 2008

Uma casa antiga grande de madeira com uma bela escadaria. Um gramado verde com grandes arvores. Lá estava ele sentado vendo toda aquela paisagem a sua frente, um barulho estrondoso dentro da casa. Preferiria ele ficar ali fora contemplando a natureza.
Entra com a obrigação de almoçar, a conversa não o agrada, ele está irritado profundamente, por que será? Não agüenta, quebra o prato na intenção que se encerre aquela conversa, aquelas risadas. A mulher e seus dois filhos param, e ficam a olha-lo. Ele furioso olha para a mulher e a xinga com tamanha irritabilidade que por muito pouco não a agride. E sai porta fora. A mulher em um momento de medo, pôs a chorar, vai ao quarto se deita e derrama-se lágrimas o resto do dia.
Ele caminha, caminha muito no meio daquele campo imenso. Senta-se embaixo de uma arvore, indignado pensa na vida, essa vida que não o agrada, que não faz nenhum sentido. Viver uma vida só de trabalho, passando necessidade. O que adianta uma vida de sofrimento? E o tempo passa…
Está na cidade no meio da multidão se empurrando, bugigangas são vendidas por todos os lados. Caminha ele sem rumo. E o tempo passa…
Naquele mesmo campo está sentado embaixo da grande arvore. Com uma mochila preta a sua frente. Começa escurecer, abre sua mochila retira as vinte e sete velas, começa coloca-las no chão formando um grande circulo. Agora está noite, começa acender uma à uma com todo o respeito que a ocasião merece. Retira toda a roupa, se ajoelha no meio do circulo fala algumas palavras e se deita com olhos fechados. Aos poucos chegam os outros, com suas roupas típicas, dão as mãos e ficam envolta das velas. Um deles fala algumas palavras, e após todos juntos falam (ou seria rezas ou cantos?).
No término o que abriu a cerimonia, chama-o e pede que levante. Ele se pôs de joelhos e o velho com as mão em sua cabeça começa pronunciar palavras, fala sem parar. No final ele levanta e as outras pessoas o veste com a túnica preta como os demais.
Por um lapso de segundos vem a sua cabeça a última vez que viu sua família. Sua mulher e seus dois filhos deitados de barriga para cima, olhos fechados, em cima de um lençol branco encharcado pelo sangue dos seus corpos. E pensa, “era preciso ser feito.”
Acompanha o pobre velho no meio da selva até sua casa na beira do rio. Entram e o anfitrião serve vinho aos dois. Bebem, riem e dormem ali mesmo. E o tempo passa…
Está na cidade sendo xingado por uma quantidade enorme de pessoas, começam a atirarem pedras. Ele não sabe o que fazer, tenta correr. Acertam sua cabeça, ele cai. As pessoas se aproxima, chutam sua cara, sua barriga, sua cabeça. Aos poucos vai deixando de existir. Tudo se apaga. E fica ali estirado no meio da rua. E o fim chega, o fim de uma existência.