Início da Existência

Uma casa antiga grande de madeira com uma bela escadaria. Um gramado verde com grandes arvores. Lá estava ele sentado vendo toda aquela paisagem a sua frente, um barulho estrondoso dentro da casa. Preferiria ele ficar ali fora contemplando a natureza.

Entra com a obrigação de almoçar, a conversa não o agrada, ele está irritado profundamente, por que será? Não agüenta, quebra o prato na intenção que se encerre aquela conversa, aquelas risadas. A mulher e seus dois filhos param, e ficam a olha-lo. Ele furioso olha para a mulher e a xinga com tamanha irritabilidade que por muito pouco não a agride. E sai porta fora. A mulher em um momento de medo, pôs a chorar, vai ao quarto se deita e derrama-se lágrimas o resto do dia.

Ele caminha, caminha muito no meio daquele campo imenso. Senta-se embaixo de uma arvore, indignado pensa na vida, essa vida que não o agrada, que não faz nenhum sentido. Viver uma vida só de trabalho, passando necessidade. O que adianta uma vida de sofrimento? E o tempo passa…

Está na cidade no meio da multidão se empurrando, bugigangas são vendidas por todos os lados. Caminha ele sem rumo. E o tempo passa…

Naquele mesmo campo está sentado embaixo da grande arvore. Com uma mochila preta a sua frente. Começa escurecer, abre sua mochila retira as vinte e sete velas, começa coloca-las no chão formando um grande circulo. Agora está noite, começa acender uma à uma com todo o respeito que a ocasião merece. Retira toda a roupa, se ajoelha no meio do circulo fala algumas palavras e se deita com olhos fechados. Aos poucos chegam os outros, com suas roupas típicas, dão as mãos e ficam envolta das velas. Um deles fala algumas palavras, e após todos juntos falam (ou seria rezas ou cantos?).

No término o que abriu a cerimonia, chama-o e pede que levante. Ele se pôs de joelhos e o velho com as mão em sua cabeça começa pronunciar palavras, fala sem parar. No final ele levanta e as outras pessoas o veste com a túnica preta como os demais.

Por um lapso de segundos vem a sua cabeça a última vez que viu sua família. Sua mulher e seus dois filhos deitados de barriga para cima, olhos fechados, em cima de um lençol branco encharcado pelo sangue dos seus corpos. E pensa, “era preciso ser feito.”

Acompanha o pobre velho no meio da selva até sua casa na beira do rio. Entram e o anfitrião serve vinho aos dois. Bebem, riem e dormem ali mesmo. E o tempo passa…

Está na cidade sendo xingado por uma quantidade enorme de pessoas, começam a atirarem pedras. Ele não sabe o que fazer, tenta correr. Acertam sua cabeça, ele cai. As pessoas se aproxima, chutam sua cara, sua barriga, sua cabeça. Aos poucos vai deixando de existir. Tudo se apaga. E fica ali estirado no meio da rua. E o fim chega, o fim de uma existência.



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